quarta-feira, 16 de maio de 2012

Síndrome Nefrótica


Anelise Uhlmann
A síndrome nefrótica afeta 16 em 100 000 crianças,  tornando esta condição uma das doenças renais  mais comuns em crianças.
Caracteriza-se por proteína/creatinina em amostra de urina ≥ 2 e albumina sérica de ≤2.5 mg/dl. A presença de hipercolesterolemia/hipertrigliceridemia não é obrigatória.
A presença de rash malar, adenopatia, artrite e perda de peso podem ser sinais de lúpus eritematoso sistêmico e linfadenopatia difusa pode sugerir linfoma.
Na avaliação inicial do paciente com síndrome nefrótica devem ser solicitados: exame comum de urina, proteína/creatinina na primeira urina da manhã, eletrólitos séricos, uréia, creatinina, glicose, colesterol, albumina, C3, FAN se idade ≥ 10 anos, sorologia para hepatite B, C e HIV na população de alto risco.
Os seguintes termos são comumente usados no manejo de síndrome nefrótica:
Remissão: proteinúria/creatininúria ≤ 0.2 por 3 dias.
Recidiva: proteinúria/creatininúria ≥ 2 por 3 dias.
Recidivante freqüente: 2 ou mais recidivas dentro de 6m após o tratamento inicial ou ≥ 4 recidivas em período de 12m.
Dependência de corticóide: recidiva durante diminuição ou dentro de 2 semana de descontinuação de terapia com corticóide.
Resistência ao corticóide: Inabilidade de induzir remissão com 4 semanas de terapia diária com corticóide.
O tratamento inicial da criança com síndrome nefrótica inclui prednisona na dose de 2mg/kg/dia por 6 semanas  (máximo 60mg) e seguir com prednisona na dose de 1.5mg/kg em dias alternados por 6 semanas (máximo 40mg). Pode se suspender o corticóide ou diminuição gradual. Nos pacientes que apresentam dependência de corticóide ou falha de resposta são utilizados imunossupressores tais como ciclofosfamida, levamisole, ciclosporina, micofenolato, tacrolimus.
Em relação a hipertensão deve se manter PA ≤ 90 percentil. Recomenda-se dieta diminuída em sal,  exercício e redução de peso se obesidade está presente. Os inibidores de enzima de conversão e/ou bloqueador de receptor de angiotensina estão indicados para o tratamento hipertensão crônica .
O manejo do edema inclui dieta diminuída em sódio, restrição mais modesta de líquido, diurético, infusão de albumina.
As complicações da síndrome nefrótica são associadas com atividade da doença e tratamento.
Obesidade e crescimento retardado que são devidos ao uso de glicocorticóide e são proporcionais a dose e duração de doença e terapia.
A hiperlipidemia geralmente resolve quando o paciente entra em remissão.
A infecção é uma complicação comum em crianças com síndrome nefrótica e uma causa importante de mortalidade. Celulite, peritonite e bacteriemia são comuns.
A administração de vacina pneumococo 23 heptavalente é recomendada para providenciar imunidade para várias cepas de estreptococos.
Dois a 5% das crianças com síndrome nefrótica desenvolvem tromboembolismo. O risco parece ser mais alto em crianças com síndrome nefrótica corticóide-resistente. Há perda urinária de anti-coagulante e há hiperagregabilidade plaquetária  e trombocitose.
Em relação a vacinas recomenda-se vacinação contra influenza anualmente no paciente e contatos domésticos. Evitar vacina com vírus ou bactérias atenuados até dose de prednisona < 2mg/kg por dia (máximo 20mg),e após 3 meses de término de tratamento com imunossupressor.


Nenhum comentário:

Postar um comentário